Está em fase de testes a terceira versão do Pirajuba, protótipo de veículo subaquático não tripulado desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Engenharia Mecatrônica e Sistemas Mecânicos (PMR) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O projeto de AUV – sigla em inglês de veículo autônomo submerso – teve início em 2008 com o objetivo de servir de plataforma de testes para pesquisas nas áreas de dinâmica, controle e navegação de veículos submarinos (ver Pesquisa FAPESP n°141). Desde então seus principais componentes vêm sendo aperfeiçoados. Em 2011 passou a ser adaptado para missões oceanográficas e de monitoramento ambiental. O objetivo é que o AUV possa, no futuro, facilitar o mapeamento do solo marinho, além de ser usado em trabalhos de inspeção de instalações submersas, como oleodutos, gasodutos e emissários submarinos.
O Pirajuba, nome de origem tupi que significa “peixe amarelo”, já havia sido testado em tanques de prova, como os do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, para avaliar como reagia à resistência da água. Em julho de 2012 e janeiro de 2013 foram realizados pela primeira vez testes no mar de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, com o apoio da Marinha do Brasil, a fim de verificar sua funcionalidade e dinâmica de navegação. À época, os algoritmos de piloto automático foram verificados, manobras pré-programadas executadas e dados de navegação e batimetria lidos e armazenados. Novos testes estão previstos para a segunda metade de 2013.
Em formato de torpedo (veja foto), o Pirajuba tem 1,78 metro de comprimento, 23 centímetros de diâmetro e pode atingir a velocidade aproximada de 10 quilômetros por hora (km/h). “O AUV possui energia e capacidade de processamento, com computadores de bordo acoplados. Assim, não depende da assistência humana durante suas missões”, explicou o engenheiro. Seu sistema de energia baseia-se em um banco de baterias de polímero de lítio, que oferecem altas densidades relativas de energia e a possibilidade de serem moldadas de acordo com a geometria do casco do robô.
Segundo o pesquisador, as melhorias alcançadas nessa terceira versão do Pirajuba referem-se à concepção mecânica de seus componentes principais, como casco, sistema de propulsão e manobra e estrutura interna do vaso principal. “Esta versão está muito mais operacional que as anteriores, beirando a de um protótipo comercial”, comentou. “O sistema de vedação e proteção catódica dos vasos está validado, a manipulação dos componentes do veículo e sua manutenção foram facilitadas, o sistema de flutuação está integrado ao casco conforme o projeto assistido por computador, o sistema de manobra é mais preciso e os programas de controle embarcado e interface com a base de comando estão mais refinados e de fácil utilização”, explicou.